Se tomarmos como referência a obra de William Playfair, os gráficos “tradicionais” têm pouco mais de dois séculos de existência. A probabilidade de sobreviverem outro tanto tempo parece-me ínfima.
A utilização extensiva de gráficos que observamos actualmente está associada às alterações tecnológicas dos últimos 30 anos, que eliminaram o cálculo e o desenho manual. Mas essas mesmas tecnologias que deram aos gráficos um lugar cativo nos media e nas apresentações empresariais são aquelas que, a prazo, irão demonstrar a sua fraca capacidade para a representação de fenómenos complexos e para os quais temos volumes crescentes de dados.
Muito do meu trabalho hoje é o de encontrar formas de representação que facilitem o acesso às várias dimensões dos problemas, ultrapassando a visão parcelar que um gráfico transmite.
A grande maioria dos gráficos que temos hoje à nossa disposição é unidimensional, mas um painel de gráficos unidimensionais não é o mesmo que um gráfico multidimensional. É curioso notar que os gráficos de dispersão, bi-dimensionais, raramente aparecem nos media, presume-se que devido à sua complexidade para o leitor médio. A terceira dimensão só existe em geral como discutível opção estética. A quarta dimensão, o tempo, dificilmente se consegue fora de um sistema de imersão em realidade virtual. Que metáforas podem ser utilizadas para colocar num espaço multidimensional os dados abstractos em geral utilizados na visualização de negócio é um tema de pura especulação.
Estas reflexões surgiram a propósito de um livro, Imagining the Tenth Dimension, que está na minha lista de livros a ler. Há um site que acompanha o livro e que procura mostrar qual poderia ser a natureza das dez dimensões. (via Digital Room)
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