Na (saudosa) série “Yes Minister” um administrador hospitalar gabava-se de ter um dos hospitais mais bem geridos e de ambicionar ganhar um prémio pelo excelente nível de higiene (o hospital tinha 500 administradores, mas nenhum médico, enfermeiro ou doente…).
Muitos sistemas de informação nas organizações são assim: perfeitos no papel mas esquecem-se dos utilizadores (aliás, suspeito que alguns administradores de sistemas prefeririam de facto não ter utilizadores).
Um bom indicador da qualidade dos sistemas de informação centralizados é a quantidade de folhas de cálculo produzidas pelos utilizadores que é suposto servir: quantas mais, menor capacidade têm os sistemas para responder às solicitações concretas. Nunca formalizei esta impressão, mas hoje encontrei-a escrita de uma forma cristalina [via]: os sistemas centralizados são rocha, as folhas de cálculo são água. É uma metáfora com sabor Zen, que exprime muito bem o modo como se articulam os sistemas formais e informais de gestão de informação. Como em tudo, o segredo está no equilíbrio e na adaptação da natureza da rocha e da água.
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