Os gráficos circulares (“sectogramas”, “tartes”, “queijos”) mostram a proporção de um determinado valor no total. São muito populares porque aplicam uma metáfora reconhecida (uma fatia de bolo) e compreendida pela grande maioria dos leitores. As suas vantagens são, precisamente, o reconhecimento e a familiaridade.
A utilização destes gráficos é adequada sobretudo na divulgação de temas a leitores que se assume terem um conhecimento escasso do tema.
Contra a utilização de gráficos circulares
Porém, em comunicações entre pares (apresentações internas nas empresas, por exemplo), os gráficos circulares devem ser utilizados com muita parcimónia e em situações muito específicas. Não é isso que habitualmente acontece, no entanto. São vulgares as apresentações de Powerpoint com efeitos especiais de fatias de tarte a voar e outros artifícios bizarros. Poder ser divertido (da primeira vez) mas não é certamente útil para a análise da informação.
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Por que motivo os gráficos circulares não devem ser utilizados? Boa parte das razões pode ver observada no artigo Anatomia de um mau gráfico, que estuda um gráfico real de um Relatório e Contas de 2004. A partir dos gráficos da esquerda (sempre o mesmo, com variação de formato), veja quanto tempo demora a responder a questões como: como estão ordenados os produtos do mercado? O Produto 5, que lugar ocupa? Tente abstrair-se das percentagens e, no segundo gráfico, indique qual é o produto com maior quota de mercado, entre o 4 e o 6.
Talvez a prova de que os gráficos circulares não devem ser utilizados está a necessidade de se incluir sempre as percentagens. Um gráfico serve para dar uma impressão imediata de um padrão, de uma tendência. Não deve por isso incluir todos os valores de base (isto é válido para qualquer gráfico). Caso contrário, estamos a desvirtuar a natureza do gráfico.
Este problema deriva da incapacidade da nossa percepção em calcular correctamente ângulos, o que torna difícil a comparação das várias fatias.![]()
Quem defende a utilização dos gráficos circulares argumenta que com eles se vê claramente que parte do todo uma fatia representa. Isto seria verdade se não estivéssemos tão habituados à base 100. Alguém precisa de ajuda gráfica para perceber o que é 20%? Se este é um problema menor, o problema maior é realmente organizar os dados. Qual é o produto líder de mercado? Qual é o segundo? Qual a distância entre o primeiro e o quinto? Isto são tarefas que se fazem com dificuldade num gráfico circular.
Uma utilização comum é a criação de um par de gráficos, cada um deles representando, por exemplo, um ano, de forma a que o leitor possa comparar as proporções. Isto é profundamente inútil. Se é difícil julgar as proporções num único gráfico, observar as variações de um ano para o outro é virtualmente impossível. O artigo Anatomia de um mau gráfico mostra uma alternativa aceitável.
Um outro argumento contra é a ineficiência. A nossa visão consegue processar um número prodigioso de dados, diferenciando variações microscópicas. Fazer um slide de Powerpoint com um gráfico circular com quatro ou cinco valores é um insulto a este poder.
Se tem mesmo de usar…
Se acha mesmo que deve utilizar estes gráficos, tenha em atenção que:
- Como pode ver no segundo e no terceiro gráfico, a capacidade de apreensão dos dados vai-se degradando à medida que se introduzem formatos e efeitos especiais (não se esqueça que são os dados que devem ser interessantes, não o gráfico);
- Reduza ao mínimo indispensável o número de valores: mais de seis tornam o gráfico ilegível (isto pode variar em função dos valores representados);
- Não use legenda: coloque a descrição junto das fatias;
- Evite colorir as fatias com cores primárias: use cores suaves (pastel), sobretudo se a sua apresentação tem 200 gráficos (isto é, muitos);
Em resumo, pondere a utilização destes gráficos e verifique se de facto acrescentam valor à sua análise ou comunicação.
Veja a categoria gráficos circulares para mais posts sobre estes gráficos.
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Blog muito interessante…
Mais lá para a frente vou-lhe pedir umas dicas
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