Gráficos como análise, gráficos como comunicação

by admin on April 13, 2007

O leitor Pedro Lino Pinto enviou este gráfico a partir da tabela de dados de consumo das famílias na Europa que foi objecto de análise da série de posts “Mil dados, mil gráficos“. É dada a seguinte explicação:

Para mim os gráficos ajudam a fazer um ponto num argumento. Ilustram um aspecto que os dados contêm. Um gráfico vai bem com dois dedos de conversa.

[Sobre o gráfico:] Portugal: Pobreza ou Boa Mesa? À direita de Portugal a Europa desenvolvida e à esquerda o alargamento…

Pode repetir-se este gráfico para cada sector e interpretar…

Este gráfico sai um pouco das regras do exercício, que consistiam essencialmente na visualização simultânea de todos os dados, porque isso permite uma apreciação global da estrutura do consumo. Não é irrelevante verificar, por exemplo, que um elevado peso da alimentação pode coincidir com um elevado peso das despesas com a habitação. Nos casos em que isso acontece a margem das famílias para outros consumos é muito mais reduzida. A visão é algo parcelar, mas em sintonia com a questão colocada (”Portugal: Pobreza ou Boa Mesa”).

Da explicação dada pelo leitor, é importante sublinhar algumas coisas:

  • O gráfico como partilha (”vai bem com dois dedos de conversa”) e externalização do conhecimento, isto é, como forma de colocar no mesmo plano de discussão um conjunto de pessoas que, com base na sua análise, argumentam os seus pontos de vista;
  • Os gráficos devem ser utilizados para dar respostas a questões específicas; se um gráfico é demasiado genérico tende a perder o enfoque naquilo para que foi desenhado;
  • Embora importante, o papel dos gráficos não se limita a comunicar e, no fundo, a ilustrar apenas um conhecimento já adquirido; o papel dos gráficos como suporte de análise, descoberta e produção de conhecimento tende por vezes a ser esquecido mas é essencial;

Encontrar um equilíbrio entre a simplificação da imagem que os dados nos oferecem, as verdadeiras necessidades do utilizador e o formato mais eficiente para lhes responder é uma tarefa complexa, mas nunca deverá deixar de constituir o objectivo fundamental da representação gráfica da informação.

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