Tenho uma profunda admiração pelo bom design gráfico. Sobram aos designers gráficos as qualidades para a criação de representações gráficas de informação memoráveis e, respondendo às necessidades das organizações, eficientes.
Mas são essas mesmas qualidades que, com demasiada facilidade, se transformam em defeitos quando se trata de representar informação. Vejo com insistência coisas que vacilam entre a ignorância do que é a visualização de informação e o desprezo pelos dados que a suportam. O efeito estilístico deixa de ser intrumental para ser o objectivo último, mesmo que isso deturpe os dados e torne a imagem inútil.
Repare-se nestes dois gráficos publicados no Relatório e Contas da Brisa (relatório em PDF). Eles demonstram a dificuldade de se representar graficamente informação quando a cor não está disponível (devido, por exemplo, a custos de produção) ou quando se prevê que sejam feitas reproduções a preto e branco.
O recurso a padrões é inevitável, mas a primeira, segunda e terceira preocupações do designer deve ser escolher formatos que representem correctamente a informação e que não necessitem de chave de leitura ou minimizem a sua necessidade. No segundo exemplo, um gráfico de barras (horizontais) evitaria o recurso à legenda. No gráfico de linhas, a identificação das linhas dentro do gráfico (apontando) facilitaria a sua diferenciação.
Claro que, se a isto juntarmos erros técnicos, a coisa fica inqualificável. No caso do gráfico de linhas, não sabemos se a evolução começou em 1847 ou na última meia hora. O gráfico é omisso em relação a qualquer referência temporal. Fico na dúvida se se trata de uma atitude estética radical ou se, simplesmente, não havia revisores (bem , os revisores também podem ter achado que se tratava de uma atitude estética).
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Pessoalmente começava por experimentar tirar as “gridlines”, para o nível de pormenor do gráfico, não creio que tragam valor acrescentado, e contribuem para aumnentar a poluição visual.
Bem observado. Não só há demasiadas linhas, como elas têm uma visibilidade desnecessária. Nos Relatório e Contas parece não haver meio termo: ou elas aparecem como é tradicional, tentando ser protagonistas de uma peça que não lhes pertence, ou evaporam-se no ar, deixando os dados à deriva. Perceber onde está o ponto de equilíbrio é um pequeno mas importante passo para uma adequada análise gráfica da informação.