Podemos copiar num teste de ética? Podemos apelar à confiança com base em argumentos falsos?
O BPI decidiu que sim, pelo menos no que se refere à segunda pergunta, e quer criar uma tradição de mentiras gráficas. O anúncio publicado ontem nos jornais, com o título “Confiança” inclui um gráfico (“Marcas de Confiança”) que mente com uma desfaçatez comovente (para quem não viu, tem aqui à esquerda uma aproximação).
O BPI quer mostrar que ultrapassou o Millennium BCP como marca de confiança. O problema é que a confiança na CGD é substancialmente mais alta e o ego do BPI sairia algo melindrado com a comparação. Qual é a solução? Simples: basta mostrar que a CGD está apenas ligeiramente acima (e a descer), nem que para isso seja necessário um pequeno ajustamento de uns 30% na altura das barras da CGD. Pequenas mentiras entre amigos?
Gostaria de insistir numa coisa: um gráfico é para ser visto, não para ser lido. Não interessa se o anúncio tem as percentagens correctas. É a imagem que fica, não as percentagens. E esta imagem mente sem pudor. O BPI acha que pode mentir com gráficos para ganhar vantagens comerciais. Eu não gostaria de ter um banco assim.
Veja também:
- Pequenas mentiras comerciais Suponho que os publicitários gostam particularmente de gráficos de...
- Podemos confiar num bom gráfico? Julgo que estamos todos de acordo (quem não estiver...