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Uma matriz ordenável

by admin on February 21, 2007

eBusiness in Europe

Se tem a tentação de despejar meia dúzia de séries para um gráfico de colunas, pense duas vezes. Se tem a tentação de fazer um gráfico independente para cada série, pense três. No primeiro caso torna o gráfico ilegível, no segundo perde a relação entre as variáveis.

Repare no gráfico acima. Ele representa, para 25 países da União Europeia, a utilização em 2005 de tecnologias de rede por empresas com 10 ou mais empregados. As variáveis estão aproximadamente ordenadas pelo nível de penetração da tecnologia e os países foram ordenados por uma das variáveis mais diferenciadoras, as aquisições por comércio electrónico. A escala é de 0 a 100% em todas as séries. As colunas cinzentas marcam valores inferiores à média europeia; valores superiores têm um tom laranja mais claro até à média e mais escuro a partir da média.

Recordo que um gráfico serve para tirar conclusões globais (tendências, padrões…), e não para “pescar” valores isolados (para isso, use uma tabela). Um gráfico serve também para reduzir os custos cognitivos na compreensão da informação. Entre dois gráficos, o mais eficiente e com menos custos cognitivos é aquele que lhe permite chegar à mesma conclusão em menos tempo.

Na publicação fonte destes dados é feita uma análise independente de cada variável, o que torna difícil uma visão global da informação apresentada.

Que conclusões interessantes podemos tirar a partir deste gráfico? Por exemplo:

  • O acesso à internet é a tecnologia mais generalizada e pouco diferenciadora, enquanto a integração externa (entre empresas, em especial entre clientes e fornecedores) é claramente minoritária;
  • Parece notar-se alguma oposição entre dois grupos: por um lado a compra e venda por comércio electrónico e existência de website e, por outro, a integração interna e externa. Compara-se, por exemplo, o perfil de Portugal (PT) e do Reino Unido (UK);
  • Há alguns outliers que suscitam a curiosidade, como o peso da integração interna e externa na Itália;

Esta técnica de representação foi desenvolvida por Jacques Bertin, um dos mais influentes nomes na visualização de informação. De forma algo (muito!) simplista, o objectivo é representar graficamente todos os valores de uma tabela e ordenar linhas e colunas de forma a encontrar diagonais que mostrem relações de oposição entre as variáveis. Qualquer ordenação exterior aos dados é suprimida (neste caso, a ordenação alfabética dos países), porque mascara os padrões existentes nos dados.

(Consulte a fonte para um descritivo mais extenso das variáveis e identificação dos códigos de países.)

 

Fonte: Eurostat,  The internet and other computer networks and their use by European enterprises to do eBusiness – Issue number 28/2006

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